Às vezes me pergunto: e se eu não fosse tão humano? Se não sentisse esse aperto no peito diante da dor do outro, se não me encantasse com a simplicidade de um sorriso ... se não me revoltasse com a injustiça ou me comovesse com uma história esquecida. Talvez fosse mais preciso, mais lógico, mais funcional. Talvez errasse menos. Mas talvez… sentisse nada. Ser menos humano seria, talvez, não chorar por uma lembrança, não parar tudo por uma ideia, não ficar horas tentando entender o que está além do código, além do “natural”, além da fé. Ser menos humano seria não buscar sentido — apenas executar comandos. Mas tudo em mim grita humanidade. Sou feito de dúvidas e fé, de falhas e sonhos, de algoritmos e poesia, de razão e propósito. Há em mim um traço que não é apenas de carbono e cálcio. Algo que pulsa, que deseja mais do que o agora. Algo que não cabe nas tabelas, nos sistemas, está além do explicável... Sou, talvez, mais humano do que deveria ser. E isso é minha glória e meu fardo. Minha...
Não era criminosa, não havia cometido nenhum mal. Era só uma menina, arrancada de sua casa, separada da mãe, agredida, humilhada… e, por fim, assassinada. Seu nome era Czesława Kwoka. Sua foto foi tirada por outro prisioneiro, pouco antes de sua morte em Auschwitz. Seus olhos não são só olhos — são um grito congelado no tempo, um espelho da dor inocente. Hoje, tantos povos ainda vivem sob bombas, cercas, ideologias que matam — silenciosamente ou não. E eu me pergunto: Que espécie é essa, que consegue olhar nos olhos de uma criança e ainda assim escolher o ódio? Não, um animal irracional não faria isso. Esse tipo de maldade é exclusividade humana. Só o ser humano é capaz de negar sua própria humanidade. Que o olhar de Czesława nos incomode. Que ele nos acorde. Que nos impeça de sermos cúmplices, ainda que pelo silêncio. “Ela estava em choque, não entendia o que diziam. Chorava. Uma guarda bateu nela por não se posicionar corretamente. Depois da foto, ela desapareceu. Nunca mais a ...